Recordas-te? Ou são apenas memórias vagas que não fazes questão de lembrar?
Eu ainda me lembro de todos os pormenores, todos as promessas, todos os gestos de amor que tínhamos um com o outro!
Tantas juras de amor naquelas madrugadas invernais onde só o calor do nosso corpo nos mantinha vivos.
Fui tão feliz aqui, de dia de noite, contigo e só contigo.
Vou contar-te um segredo, tinhas razão, não dava valor. Pensei sempre que irias estar no meu caminho fizesse eu as escolhas que fizesse, que irias perdoar os erros e as infantilidades normais da idade, pensei sempre que o teu abraço seria apenas para mim. Enganei-me. O teu abraço mudou, não de forma, mudou de movimento, mudou de pessoa, mudou de sentimento.
Ainda tentei, tu sabes que tentei, lutei sem dares conta, mas já não querias, já não podias, o teu coração já não me pertencia. Derrotada, é assim que passados estes anos me sinto!
Vivi tanto depois de ti, tu sabes todos os erros que cometi, mas mantive-me vazia, sem sentimento, sem loucura. Aprendi a valorizar os momentos , mas nada me devolveu a excentricidade que foi o nosso amor, o nosso sentimento!
Recordas-te? As viagens sem destino, os hotéis que percorríamos, as insanidades da idade, da vontade. Amava-te com tanta loucura, que de olhos fechados confiava em ti, no teu corpo no teu respirar, eras meu.
Como podes dizer que me esqueceste se fui eu que percorri o teu corpo, traço a traço, sei de cor cada gesto teu, cada movimento me pertence, como podes abraçar outro corpo, amar outro corpo, desejar outro corpo, se eu continuo aqui, vagueando entre as nossas memórias, as nossas fotografias. Eu ainda te amo. Eu Amo-te, continuo a amar-te como naquelas noites loucas neste mesmo sitio, onde agora estou sozinha, sem poder respirar-te, tocar-te, amar-te! Deixaste de ser meu, não amavas como eu? Não sonhavas como eu? Continuo aqui, venham os anos que vierem, és tu quem eu amei e vou amar sempre!
Recordas-te? As longas conversas sobre o nosso primeiro filho, como iria ser, como se iria chamar? Hoje estou aqui, já não estou sozinha, tenho uma Leonor, e como eu dava a minha vida para que te pudesse chamar de pai, mas não correu como planeado. Perdoa-me se te fiz sofrer, também eu sofri e nem dei conta. FOSTE O AMOR DA MINHA VIDA e ninguém te irá substituir, mesmo que digam que as pessoas são substituíveis tu não és, tu és assim, louco, insano, puro. És o que eu sempre quis e perdi.
Recordas-te que eu sei. Quando nos vemos eu sei que sentes o mesmo arrepio que eu sinto, a vontade pura de me teres percorre-te o corpo num devaneio quase incontrolável, eu sei, eu sinto o mesmo.
Não te vejo já lá vão 953 dias. Consegues entender o sufoco que trago nas palavras por não te poder ter, por não mais me pertenceres?
Que saudades de ti meu amor!! Daria tudo para voltar aos tempos em que nada mais importava a não ser o nosso sentimento, tão puro, tão sentido, tão verdadeiro e louco!
Eu sei que te recordas

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