Na ausência não consegues tocar, nem sequer consegues discernir o corpo de quem amas para te poderes aqueceres no corpo de quem amas – está ausente, longe de ti. Eu sei do que falo.
É claro que a ausência dói, e sei bem o quanto me doeste pela ausência que me deste. Até posso ter sido eu a culpada, admito, mas isso não diminui nem um pouco a dor que sofri da tua ausência em mim, entendes?
Hoje estou menos doída, o tempo curou-me as feridas, não me levou as cicatrizes, é certo, ficaram-me na pele, percebes?, mas a ausência dói, claro que sim, vai passando, reconheço, vai amenizando, também, mas dói, dói porque nos acompanha por dentro, caminha connosco passo a passo, não nos larga um minuto que seja, não se esquece de nos fazer lembrar a toda a hora que aquela pessoa que amamos não está nem irá voltar mais. Depois, lá está, começamos a sofrer uma perseguição do nosso próprio pensamento, esse cobarde que não se vê por fora, eu sei, mas que se sente por dentro. O pensamento, esse bramir silencioso, não nos larga, faz-nos lembrar a toda a hora que é hora de continuar a lembrar de quem já não volta.
Não há tortura pior do que o nosso próprio pensar...
Sem comentários:
Enviar um comentário