segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Deixa-me pensar

Tenho de partir. Arrasto comigo uma lágrima. Já não voltarei. Diz-me que me percebes, que me entendes.
Diz-me que compreendes a loucura que me vai na cabeça, que a minha demência de te amar é a demência do teu corpo; como se demência fosse o teu corpo e depois disso fosse o teu corpo outra vez, e só depois é que vens tu e o teu corpo - que eu amo - e que desejo de tanto querer; como se a demência (e eu sei que isto é mesmo demente) fosse eu e mais eu e depois eu vezes mil a querer-te mil vezes mais - a ti e ao teu corpo.
Deixa-me pensar. Por favor deixa-me pensar com o que resta de mim – que é quase nada.
Vou-te olhar outra vez para te ver; como te quero, caramba. É só olhar o teu corpo e todo eu sou desejo; é só imaginar o teu corpo e todo eu sou teu; é a tua simples existência que faz do meu eu todo teu. Tu existes e eu limito-me a habitar-te. É isso mesmo. Tu existes e eu limito-me a morar em ti.
E esta saudade que me corrói os ossos; esta saudade que me deixa a desejar-te agora, já, a todo momento; esta saudade que é toda tua, mas que eu a sinto toda minha; esta saudade que me cai no corpo como uma morrinha…e que me ensopa a pele - de ti.
A saudade não tem nome. Se tivesse era o teu. Mas tem pele: a que te cobre o corpo.

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