segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

O amor é um ditador da pior espécie


18 de Novembro

O amor só é bom quando amor nos faz bem, quando somos acompanhados por outro amor que nos ama na nossa vida, quando o nosso amor se desnuda connosco e se dispõe a amar-nos como nós próprios o amamos. Se assim não for, se já não há ninguém dentro dessa vida, morremos gelados de solidão. Talvez tenha sido essa a razão principal da minha morte: a solidão de ti.

Se ao menos eu pudesse ter-te deixado de amar quando tu já não estavas em mim, jamais morreria de amor.
Há uma contradição no amor que faz doer. Ele faz-nos amar mesmo quando já nada nos ama, castiga-nos, verga-nos, como se não mandássemos nada na nossa vontade.

O amor é um ditador da pior espécie, essa é que é essa. E isso é duro, claro, muito duro, o amor faz-nos amar até na ausência de quem amamos, percebes? Foi assim connosco. Foi assim comigo. Como se ama na ausência de tudo o que se ama? Como se ama quando o que se ama já não nos chega ao toque?

Eu fiquei sozinho, caramba, desacompanhado de nós, tu sabes, mas a amar-te de tal qual como sempre te tinha amado, de tal forma que a tua ausência me esvaía da vida por não te ter. De que me valia amar-te se tu já não estavas? Nada. Mas eu amava-te como se tu estivesses comigo, entendes? Mas tu não estavas...
Amei-te tanto. Amei-te tanto, e tanto, que quase me esqueci de mim. Amei-te tanto que quase me deixei de amar a mim. Amei-te tanto que me esqueci de viver, percebes?, de respirar, até. Amei-te tanto que tive de morrer, vê lá tu, que estupidez, para deixar de te amar.
Que estupidez eu morrer porque te amava, eu sei, mas morrer, entende, foi a única forma que me sobrou para me deixar vivo.

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